terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Parábola da ovelha perdida, um comentário devocional!




E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:

Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?

E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; 

E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
Lc 15.3-7 


Na estrutura social dos tempos de Jesus havia os religiosos (Sumo sacerdote, sacerdotes, escribas, fariseus, saduceus, zelotes, essênios, herodianos, etc) e o povo simples como pescadores, agricultores ou criadores de animais domésticos como criadores de porcos e por fim os pastores. Certamente quando Cristo menciona esta parábola Ele tinha a certeza que seus ouvintes já tinham visto alguma vez um pastor em ação ou mesmo tinham ouvido um pastor se lastimando da perda de uma de suas ovelhas. Quando uma ovelha se desprendia do rebanho, ela ficava exposta aos seus inimigos naturais dentre eles podemos citar lobos, leões da montanha ou mesmo ladrões. A ovelha por ser um animal gregário quando se separa do rebanho fica deitada no chão, imóvel, esperando pelo pastor. Para o pastor que acompanhava a ovelha desde seu nascimento até seu abate, ver que alguma não estava na contagem diária era uma grande tristeza, assim ele deixava as 99 no curral e empreendia sua jornada.

A referida parábola além de aparecer no evangelho de Lucas, também aparece no evangelho de Mateus (18.12-14), e podemos observar algumas peculiaridades, em Mateus ela parecer um pouco mais sucinta e algumas circunstâncias são omitidas. Mateus diz que o pastor deixou as ovelhas nos montes enquanto que em Lucas as ovelhas são deixadas no deserto. Outro fato é que Lucas dá mais detalhes, quando ele diz que o pastor colocou a ovelha nos ombros, cheio de júbilo, Mateus diz apenas que o pastor se alegra. Lucas é mais detalhista ainda e chega a falar sobre uma festa que foi promovida pelo pastor por tamanha a alegria de ter recuperada a ovelha perdida. Ambos os evangelhos citam a aplicação de Jesus mencionado a importância da ovelha para o pastor em detrimento das 99 que ficaram no curral.

Podemos ver que está é uma parábola que pode ser caracterizada como autêntica, devido alguns fatores como a utilização de um fato comum do dia-a-dia e vermos que os verbos utilizados estão no presente, fato este que mostra que o acontecimento é algo corriqueiro. Nela podemos ver o grande amor de Deus pelos perdidos (Jo. 3.16; Rm 5.8) ao ponto de investir uma ida até onde a ovelha está (Lc. 19.10), e em seus ombros conduz para um lugar seguro. Todo este contexto fala do processo da redenção e a ação soteriológica de Deus. 

Uma parábola muito conhecida por todos, até as crianças conseguem visualizar a pobre ovelha e o pastor indo a seu encontro, revelando seu cuidado e amor pela ovelha desapercebida. Hoje é notório este amor quando Deus em sua grandiosa graça concede ao homem a reconciliação mediante o grande sacrifício de Cristo. 

A morte do filho de Deus é a maior prova do amor de Deus (Rm 5.7-8). Cristo já tinha mencionado que os homens eram como ovelhas sem pastor, mas que ele seria o bom pastor que daria a vida pelas ovelhas e por este amor fomos alcançados e salvos do nosso inimigo, temos nossas chagas saradas e por fim seremos conduzidos ao lar eterno para estar com aqueles que já estão nos esperando.

Paz de Cristo!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A parábola da salvação - C. H. Spurgeon

 
Num tempo, a Misericórdia estava sentada em seu trono, que era branco como a neve, rodeada de exércitos de amor. Um pecador, a quem Misericórdia se havia proposto salvar, foi trazido à sua presença. O arauto tocou a trombeta, e depois de três chamados, com voz mui alta, disse: “Ó céus, terra e inferno, tenho vos convocado neste dia para que venham diante do trono de Misericórdia, e declarem por que este pecador não deve ser salvo”. Ali estava o pecador, tremendo de medo; ele sabia que havia uma multidão de oponentes, que queriam abrir espaço para entrar no salão de Misericórdia, e com os olhos cheios de ira, diriam: “Ele não deve e não escapará; ele deve se perder!”.

Soa a trombeta e Misericórdia estava sentada placidamente em seu trono até que entrou um com semblante de fogo; sua cabeça estava coberta de luz; falava com voz de trovão, e de seus olhos saiam raios. “Quem és tu?”, perguntou Misericórdia. Ele respondeu: “Eu sou a Lei; a Lei de Deus”. “E que tens a comentar?” “Tenho que dizer isto”, e levantou uma tábua de pedra, escrita dos dois lados; “estes dez mandamentos têm sido quebrados por este miserável. Eu demando seu sangue; pois está escrito: ‘A alma que pecar, esta morrerá’. Assim, pois, pereça ele, ou então perecerá a justiça”. O miserável se enche de tremor, seus joelhos se batem, a medula dos seus ossos se derrete internamente, como se fosse derretida pelo fogo, e treme com muito terror. Já parecia ver o raio lançado contra ele, penetrando sua alma, e o inferno aberto em sua imaginação diante dele, e se considerou perdido ali para sempre. Porém, Misericórdia sorriu e disse: “Lei, eu te responderei. Este miserável merece morrer; a justiça exige que ele pereça; eu concedo tua exigência”. Ó, como treme o pecador! “Porém, há um que veio comigo no dia de hoje, meu Rei, meu Senhor; seu nome é Jesus; ele te dirá como pode ser paga a dívida para que o pecador seja livre”. Então Jesus falou e disse: “Ó Misericórdia, farei o que me pedes. Toma-me, Lei. Põe-me no horto. Faz-me suar gotas de sangue. Então, crava-me num madeiro. Açoita minhas costas antes que me mates. Levanta-me na cruz. Que o sangue das minhas mãos e dos meus pés corra em abundância. Desça-me ao sepulcro. Deixe-me pagar tudo o que deve o pecador. Eu morrerei em seu lugar”. E a Lei saiu e açoitou ao Salvador, o cravou na cruz, e regressou com seu rosto radiante de satisfação, e parou diante do trono da Misericórdia, e Misericórdia perguntou: “Lei, que tens que adicionar agora?” “Nada”, respondeu, “formoso anjo, nada”. “Como!? Nenhum destes mandamentos está contra ele?” “Não, nenhum. Jesus, seu substituto, cumpriu todos eles. Ele pagou a pena por sua desobediência, e agora, em vez de sua condenação, exijo, como uma dívida de justiça, que o pecador seja absolvido”. “Permanece aqui”, disse Misericórdia, “senta-se em meu trono. Tu e eu enviaremos agora uma nova intimação”.
A trombeta soou outra vez: “venham aqui, todos os que tenham algo a dizer contra este pecador, para que não seja absolvido”. E se levanta outro, um que freqüentemente afligiu ao pecador, um que tinha uma voz não tão alta como a da Lei, porém penetrante e estremecedora, uma voz cujos sussurros eram tão cortantes como uma adaga. “Quem és tu?”, perguntou Misericórdia. “Eu sou a Consciência; este pecador deve ser castigado; ele tem feito muito contra a lei de Deus e deve ser castigado; eu o exilo; e não permitirei descansar até que seja castigado, e não me deterei ali, pois o seguirei inclusive até ao sepulcro, e o perseguirei mais além da morte com angústias indizíveis”. “Não”, respondeu Misericórdia, “escuta-me”, e fazendo uma pausa por um momento, tomou um maço de hissopo e limpou com sangue a Consciência, dizendo: “Escuta-me, Consciência, ‘o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos limpa de todo pecado’. Agora, tens algo a dizer?” “Não”, respondeu Consciência, “nada”.
“Coberta está sua injustiça;
Ele está livre de condenação”
“De agora em diante, já não lhe atormentarei. Serei uma boa consciência para ele, por meio do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”.
A trombeta soou uma terceira vez, e uivando desde as cavernas mais profundas, aproximou-se um diabo repugnante, com ódio em seus olhos, e uma majestade infernal em seu semblante. Perguntou-se-lhe: “Tens algo contra esse pecador?”. “Sim”, respondeu, “o tenho; ele tem feito uma aliança com o inferno, e um pacto com a sepultura, e aqui está, firmado por sua própria mão. Ele pediu a Deus que destruísse sua alma na bebedice, e fez votos que nunca se voltaria para Deus; olhem, aqui está seu pacto com o inferno!”. “Vejamos”, disse Misericórdia; e lhe foi entregue, enquanto o diabo mirava com olhar sombrio ao pecador, e lhe atravessava com suas sombrias olhadelas. “Ah!”, disse Misericórdia, “porém, este homem não tinha o direito de firmar a escritura; um homem não pode vender a propriedade alheia. Este homem foi comprado e pago de antemão; ele não se pertencia; o pacto com a morte está anulado, e a aliança com o inferno feita em pedaços. Segue teu caminho, Satanás”. “Não”, disse, uivando de novo, “tenho algo mais a adicionar: esse homem sempre foi meu amigo; sempre escutou minhas insinuações; zombava do evangelho; desdenhava da majestade do céu; acaso, receberá o perdão, enquanto eu tenho que continuar na minha guarida infernal, para suportar para sempre a pena da minha culpa?” Misericórdia respondeu: “Arreda-te, demônio; estas coisas ele fez nos dias anteriores à sua regeneração; mas a palavra ‘não obstante’ (Sl.106.8) as apagou. Vai-te para o teu inferno, e considera isto como outro açoite que se te dá. O pecador será perdoado, porém tu nunca o serás, diabo traidor!”.
E logo Misericórdia se voltou ao pecador sorrindo e disse: “Pecador, a trombeta deve soar pela última vez!”. Outra vez foi tocada, e ninguém respondeu. Então se levantou o pecador, e Misericórdia disse: “Pecador, faz tu mesmo a pergunta: pergunta ao céu, à terra e ao inferno, pergunta se alguém pode te condenar”. E o pecador, permanecendo de pé, com uma voz alta e ousada perguntou: “Quem acusará os escolhidos de Deus?”. E olhou para o inferno, e Satanás estava ali, mordendo suas cadeias de ferro; e olhou para a terra e ela estava silenciosa; e na majestade da fé, o pecador subiu ao céu mesmo, e perguntou: “Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus?”. E veio a resposta: “Não, ele justifica”. “Cristo?” E foi sussurrado docemente: “Não, ele morreu”. Então, olhando ao seu redor, o pecador perguntou com alegria: “Quem me separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor?” E o pecador que estava condenado antes regressou à Misericórdia e permaneceu prostrado aos seus pés, e fez votos de ser seu para sempre, se ela o guardasse até ao fim, e o convertesse no que ela desejava que fosse. Então, já não mais soou a trombeta. Os anjos se regozijaram, e o céu se alegrou, pois o pecador tinha sido salvo.

Retirado do link: http://tiagolinno.wordpress.com/2011/06/01/a-parabola-da-salvacao-c-h-spurgeon/

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Corpo de Cristo II


"Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.
Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.
Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?
Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo.'
I Co 12.12-20 


A responsabilidade e unidade dos órgãos

No post passado falamos sobre a anatomia humana e fizemos uma aplicação desta anatomia a Igreja de Cristo. Abordamos a responsabilidade que cada crente tem quanto célula deste corpo de trabalhar para o bom andamento do órgão que ela faz parte e assim contribuir para o bom andamento do Corpo de Cristo.

Hoje quero falar sobre os órgãos, o corpo humano tem aproximadamente 60 órgãos que são divididos por região, isto é, existem os órgãos da cabeça, os órgãos das costas, os órgãos do tórax etc. Bem, cada órgão apesar de trabalhar na sua região e função específica precisa estar em harmonia com os demais órgãos da sua região e das outras regiões também, pois caso um deles falhe pode significar a destruição de todos. Vemos aqui que há uma dependência apesar da independência de cada um, isto é, apesar do estômago trabalhar de forma independente na digestão dos alimentos ele precisa do pulmão para alimentar suas células com o oxigênio, da mesma forma como o coração é independente no seu trabalho de bombear o sangue pelo corpo, ele precisa do reto ou mesmo dos intestinos e rins que promoverão a limpeza deste sangue para que ele (o coração), não bombeie sangue contaminado para o resto do corpo. Veja bem, apesar da aparente independência todos são dependentes e trabalham para o mesmo fim, isto é, o bom andamento dos sistemas e logo do corpo.

Pegando por base a explanação anatômica acima quero fazer uma aplicação na igreja local, porque muitas vezes algumas igrejas trabalham tão isoladas que parece não fazer parte de um sistema, ou melhor, de um corpo. Podemos entender que todas as igrejas pertencem ao mesmo corpo e que apesar de serem aparentemente independentes são dependentes uma das outras e que caso uma seja danificada as demais logo, logo serão afetadas também. Não há um órgão no corpo humano que não seja importante e necessariamente vital, como também não existem igrejas melhores e piores só existe a Igreja de Cristo ou as igrejas dos homens.

Muitos líderes imaginam que suas igrejas são únicas e que as demais são apenas um suporte para a dele, porém este pensamento é demoníaco e sincrético sem nenhum respaldo bíblico. Assim como todos os órgãos são vitais, todas as igrejas também o são, precisamos aprender a trabalhar em unidade apesar das nossas diferenças. Precisamos prestar ajuda mútua, pois não sabemos o dia de amanhã.

 Pastor como está sua visão do Corpo de Cristo? Você trabalha para o crescimento do Corpo de Cristo em obediência ao Cérebro que é Jesus, ou você vive segundo seus preceitos humanos falidos? De quem é a igreja que está sob a sua responsabilidade? Paulo disse: Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?

Não trabalhe para seu próprio benefício, mas invista no Corpo como um todo, lembre-se Deus não dá igreja para pastor, Deus dá pastores para a igreja.

Na graça do Mestre;

Conf. Marcos Gama