sábado, 6 de agosto de 2016

Texto devocional - O Testemunho de um Ladrão (Parte 1)

Paz do Senhor, você gosta de textos devocionais? Vi que a história de um cego foi muito visitada por vocês, bem Deus me deu graça hoje e consegui escrever um texto parecido.

Como seria se um dos ladrões que foi crucificado com Jesus contasse como ele viu a crucificação e como isso lhe tocou? Quer saber? O texto é um pouco longo e estarei dividindo em três postagens ok?

Então vamos lá, espero que gostem! comentem, compartilhem e abençoem outras vidas, tá?

O Testemunho de um ladrão

É sexta-feira de manhã bem cedo, o medo invade minha alma, se aproxima a hora da execução de minha sentença. Meus maus caminhos me levaram a este momento. Minha acusação? Roubo. Em uma sociedade que tem duas leis é complicado não perder a vida por um motivo, que para mim não seria digno de morte, porém as leis romanas e principalmente a Torah, A Lei de Deus, não deixa impune os criminosos.

Tenho companhia em minha cela de espera pela morte, são outros dois criminosos, um recalcado em seu canto, calado e nervoso, o outro é bem conhecido, Barrabas. Barrabás é um sonhador, não deseja ser escravo de ninguém. Seu desejo é ser livre dos romanos e ver implantado o reino de Israel. Para isso ele foi ao extremo, liderando uma sedição que aos olhos de Roma é uma traição imperdoável, somando-se a isso um assassinato. Ele sabe que seu destino está traçado, na realidade, nós sabemos qual é o nosso destino, a cruz.

A execução por morte de cruz é a mais terrível e vergonhosa de todas as execuções romanas, pois além de nos humilhar publicamente, as dores são inimagináveis. Enquanto a morte não chega, em meio a sol, chuva, vento e poeira nossa vida vai minguando e os transeuntes que passam demonstram raiva e evidenciam uma justiça transvestida de maldade.

Em meio as minhas vagueações, vejo uma movimentação no pátio da guarda do governador Pilatos. Um grande murmúrio, uma multidão invade o pavimento e conversa com o governador, ouso a voz de alguns dos mestres e sacerdotes de Jerusalém. Será que eles vieram interceder por algum conhecido? Eu sei que na época da páscoa o governador sempre perdoa alguém, libertando-o de suas dívidas, mas se for isso, certamente não serei eu, pois minha vida não foi em meio a aristocracia judaica.

Passado algum tempo, vejo que o murmúrio diminui. Acho que a intercessão não funcionou, mas estava errado, novamente o murmúrio volta mais forte e ouso uma sentença, ele será castigado. Em seguida uma cena me chama a atenção, um homem é levado para o lugar do castigo, e iniciam as chibatadas. Eu não estou lhe reconhecendo, porém seu rosto me parece familiar. O castigo por chicotadas é sempre muito doloroso e maléfico, todavia os soldados parecem sentir um prazer descomunal com este criminoso. Acho que após aquelas chibatadas o governador irá soltá-lo, apesar de sair ferido, para não dizer quase morto, o que espera ele é a liberdade, enquanto a mim, uma cruz.

Já tinha visto muitos homens serem castigados com aqueles acoites, mas algo estranho aconteceu com este, pois, após o martírio, os guardas vestem-no com um manto purpura e cravaram uma coroa de espinhos em sua fronte, aquilo me deixou inquieto e curioso, depois vi quando os soldados se ajoelhavam na frente dele e diziam “salve Rei dos judeus!”. Rei dos Judeus? Rei dos Judeus? Agora acho que sei quem é este homem, eu ouvi alguém comentar sobre um rabino galileu que alguns diziam que ele era o Messias e que ele poderia ser o Rei dos Judeus.

Mas se é ele, por que estão fazendo isso? Por que os sacerdotes não intervêm? Por que o povo não se revolta? Eu ouvi falar tantas coisas deste rabi galileu. Os cegos veem, os paralíticos andam, as multidões são alimentadas, e já ouvi falar que até os mortos ressuscitaram. Quantos não comentam em Israel sobre seus ensinos, até os gentios já estavam querendo vê-lo. Quantas pessoas conseguiram uma segunda chance ao chegar perto dele, quantos não tiveram seus pecados perdoados por ele... Pecados perdoados? Há, como eu queria que neste momento os meus pecados fossem perdoados, como eu queria falar com ele, como eu queria uma segunda chance, nem que esta fosse à última.

De repente um soldado chega e agarra o galileu e com força e leva-o para o governador, fico tentando ouvir as argumentações. Pilatos assevera “O que este fez para merecer a morte”, os sacerdotes retrucam dizendo “se não matá-lo você é inimigo de César”, Pilatos comenta “mas vocês querem matar vosso Rei”? Os maiorais de Israel declaram, “O nosso Rei é César!”. Como os sacerdotes podem dizer uma coisa destas? Como o nosso rei é César? Não é isso que vejo pelas ruas o povo ansiando por liberdade e não escravidão. Como querer matar um rabino que trouxe tanta paz e esperança para nosso povo?

Continua...


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